I am a girl filled with dreams.

Pensamentos de ansiedade.

Tudo começou com um toque suave de timidez, uma barreira invisível aos olhos de quem vê e um sentimento abstracto de intensidade inflacionada.
Tudo terminou com saudade, uma muralha mais forte e um  pintor desastrado.
Não foi preciso ficar inconsciente para ter ideia do terror que se avizinhava.
Dizem que os sonhos se baseiam em acontecimentos recentes, quanto mais um evento está presente na memória, maior a probabilidade de sonhar com o mesmo.
Tomei todas as precauções, medidas e desmedidas. Forjei o pensamento para não ser penetrada por medos irracionais mas sem sucesso.
Começou com uma roda de pessoas. Eu fazia parte. Nada de extraordinário. Não era nenhum dia em particular, nem hora, nem lugar. Era como uma tela em branco onde pintaram personagens detalhadas e realistas. De um momento para o outro alguém se levanta e desaparece.
Os risos começam, estão a rir-se comigo, sem mim, de mim?
Os sussurros começam, estão a falar comigo, sem mim, de mim?
Começam-se a formar grupos dentro do grupo, mas eu não me incluo em nenhum. A culpa é minha, deles ou de quem me deixou?
Quem volta não se junta a mim, é chamada, é colocada, é integrada numa conversa de que não sei se quero fazer parte.
Fica tudo negro. O pintor enganou-se na cor e deixou o pincel cair, queria apenas pintar o céu e pintou sobre mim. Quanto mais o artista tenta corrigir o erro, mais eu me desvaneço. E desvaneço... Fica apenas uma ínfima pequena parte de mim.
Oiço chamar o meu nome, sou eu, aquela ou a outra?
Reconheço a voz é dirigida a mim ou a ninguém?
Não sei quem sou, nesta neblina negra, sinto-me despida, sinto-me exposta a todos menos a ela.
Quero fazer parte desta ideia, deste desejo que tanto lhe agrada. Mas não assim, nunca assim, quero ser melhor para ela, quero fazer de mim alguém melhor. Alguém de quem eu me sentiria orgulhosa se fosse ela.
Oiço uma conversa. Estão a falar do quê? Saberei responder, saberei participar, saberei fazer parte?
Ele chega. Volta a ficar escuro, volto a perder-me. Ele tenta ajudar, só faz pior.
Quero ir-me embora, já não me sinto só insegura, há mais emoções negativas a lutarem por serem sentidas, tanto ou mais.
Oiço risos, estão a rir de mim? Sim. Porquê? O que é que eu fiz agora? Falei. Falei? O que foi que eu disse? Não me lembro, não me consigo lembrar, o que foi? O que foi? que foi? O que foi?
Ela não se ri. Pergunta se eu me quero ir embora. Eu não consigo responder, sorrio e choro. Não sei o que fazer mais. As gargalhadas continuam durante uns quantos minutos. Ela deixa-me.
Eu sento-me sozinha, respiro fundo e apercebo-me de que ela ainda não voltou. Nada aconteceu. Foi tudo na minha imaginação. Mas porque estão a olhar para mim então? Fizeram-me uma pergunta? O que foi? O que foi? que foi? O que foi? O que foi? que foi? O que foi? O que foi? que foi? O que foi? O que foi? que foi? O que foi? O que foi? que foi? O que foi? O que foi? que foi? O que foi? O que foi? que foi? O que foi?
Acordo.